“O Que Você Vê Você se Torna – visão quântica”

“O Que Você Vê Você
se Torna
Deepak
Chopra,
Maya, na verdade, é a
ilusão de fronteiras, a criação de uma mente que perdeu a perspectiva cósmica.
Ela surge quando se vê um milhão de coisas “lá fora” e se deixa de perceber uma
coisa, o campo invisível que é a origem do universo.
Mesmo quando estamos
tranquilamente sentados, cada um de nossos pensamentos cria uma onda no campo
unificado. Ela ondula através de todas as camadas de ego, intelecto, mente,
sentidos e matéria, propagando-se em círculos cada vez maiores. Somos como uma
luz que irradia não fótons, mas consciência.
À medida que se
irradiam, nossos pensamentos têm um efeito sobre tudo o que existe na natureza.
A física já reconhece esse fato para fontes de energia. Qualquer luz, seja uma
estrela ou uma vela, envia suas ondas por todo o campo quântico
do eletromagnetismo, indo até o infinito, em todas as direções.
“Eu sou tudo” implica
uma capacidade de transcender o fluxo normal do tempo e os limites normais do
espaço. A despeito de seu brilho intuitivo, Einstein não saiu do rio do tempo,
exceto mentalmente.
Para os rishis essa é
a atitude que torna a física incompleta. Não somos meros espectadores
espreitando o campo unificado
— diziam —, nós somos
o campo unificado. Cada pessoa é um ser infinito, não limitado pelo tempo e
espaço. Para atingirmos além do corpo físico, precisamos ampliar a influência da
inteligência.
Os rishis tomaram
esse princípio e o humanizaram. O sistema nervoso deles, de fato, registrava o
efeito distante que um pensamento produz, e isso lhes era tão real como nos é
ver a luz. Mas somos limitados em nossa percepção; estarmos confinados ao estado
de vigília nos impede de perceber as mudanças sutis que estamos produzindo em
todos os lugares.
Algum
efeito está sempre presente. “Deve ficar firmemente estabelecido na mente de
cada indivíduo”, escreveu o Maharishi em Ciência do Ser e Arte de Viver*, “que
ele é parte de toda a vida do universo, e que seu relacionamento com a vida
universal é o de uma célula com o corpo inteiro.”
Por milhares de anos
os rishis afirmaram a existência dessa relação — o homem se movimenta, vive e
respira no corpo cósmico. Se é assim, então a natureza está tão viva como nós; a
distinção entre “aqui dentro” e “lá fora” é falsa, como se as células do coração
não dessem importância às da pele, porque elas não estão em seu
interior.
O mistério mais
profundo do conto é que o próprio Svetaketu é feito dessa mesma essência
inimaginável, que tudo permeia. Para descobrir o que o pai de Svetaketu quis
dizer, devemos explorar o sentido de percepção, que é a base da sabedoria dos
rishis.
“Eu sou tudo” implica
uma capacidade de transcender o fluxo normal do tempo e os limites normais do
espaço. A despeito de seu brilho intuitivo, Einstein não saiu do rio do tempo,
exceto mentalmente.
Ele afirmou que teve
experiência de auto-expansão onde não havia “nem evolução nem destino, só Ser’
mas esses episódios não entravam diretamente em seu trabalho científico.
Como todos os físicos,
Einstein mantinha-se fiel ao método objetivo e escrupulosamente excluía sua
própria consciência de suas teorias. Sua procura por um campo unificado que
abrangeria todo o tempo e espaço foi um empreendimento puramente
matemático.
“Os limites da vida
individual não se restringem aos do corpo”, continuou o Maharishi, “nem mesmo
aos da família de alguém ou da casa de alguém; eles se estendem muito além
dessas esferas, para o horizonte ilimitado da vida cósmica
infinita.”
Sabendo disso, os
rishis tornaram-se indivíduos extremamente poderosos, mas não no sentido comum.
Enquanto a maioria dos homens está interessada no poder material, os rishis
desejavam o poder da percepção.
Para eles, o nível
material do mundo era grosseiro. O real poder da natureza está bem perto da
fonte, e o poder máximo deve estar dentro dela.
Compreender que a
mente está acima da matéria não é uma noção mística. Se você quer construir um
arranha-céu, não começa por juntar concreto e aço; você procura um arquiteto,
cujo intelecto prepara o projeto que deve existir antes do início da obra.
Esse projeto contém
mais do poder para se construir um prédio do que o contido na mão-de-obra.
Certos campos, como a música, a matemática e a física quântica, praticamente não
progridem sem gênios que trabalham em profundo silêncio — o método de
investigação preferido por Einstein não era trabalhar em laboratório, mas
realizar experimentos mentais.
Tinha por hábito
fazer isso muito antes de alcançar fama e posição. Como ele um dia recordou,
estava colocando relógios aqui e ali no universo, antes de poder comprar um de
verdade para sua casa.
Para os rishis,
pareceria estranho colocarmos nossa inteligência em campos tão pequenos e
isolados de conhecimento. Nosso condicionamento social proíbe a perspectiva
cósmica, não por condená-la, mas porque fornece ocupações que nos distraem.
Para quem está cercado
de tijolos e argamassa, é difícil aprender arquitetura. Atualmente, um campo
como a medicina é tão complicado que, se alguém disser “Este paciente pode ser
tratado por meio do fluxo da inteligência’ será ouvido com
descrédito.
O estado ilimitado
não é visto com frequência em nossa sociedade, enquanto seu oposto é
absolutamente epidêmico. Todos os dias os psiquiatras deparam com pacientes
aleijados por limites, pessoas que programaram em si mesmas a culpa, a ansiedade
ou inseguranças inomináveis.
Os que adquiriram
fobias são exemplos extremos desse fato, uma vez que seu medo mortal é
absolutamente desproporcional em relação a qualquer perigo real. Se você leva um
agorafóbico — alguém que teme espaços abertos — para passear de carro, ele
demonstra intensa ansiedade.
Se você parar num
campo aberto e o mandar sair do carro, ele ficará tão paralisado como uma pessoa
normal ficaria se lhe ordenassem saltar num precipício. Tente forçá-lo, e o
agorafóbico reagirá como se estivesse lutando pela vida.
A angústia mais aguda
do fóbico é saber que ele criou a própria condição. Entretanto, sua vontade não
é suficiente para romper o padrão que ele programou na própria fisiologia.
(Um agorafóbico da
Inglaterra estava tão infeliz e envergonhado de sua fobia que resolveu se
suicidar. O método que escolheu foi dirigir seu carro por 3 quilômetros, algo
que, tinha certeza, lhe seria letal!
Quando isso falhou, de
início ele sentiu-se apavorado, mas pouco depois descobriu que sua fobia havia
diminuído. Acidentalmente esse homem descobrira a terapia chamada “imersão”, que
os psiquiatras usam às vezes para arrancar fóbicos graves da
irrealidade.)
Os limites criados
pela ciência são os mais confinadores. Pessoas que nunca ouviram falar em Veda
geralmente conhecem a palavra Maya, ou ilusão.
Em sânscrito, ela
significa “o que não é”. Esse termo é muito mal compreendido — os rishis não
usavam a palavra “Maya” para dizer que algo não existe, como uma,
miragem.
Maya, na verdade, é a
ilusão de fronteiras, a criação de uma mente que perdeu a perspectiva cósmica.
Ela surge quando se vê um milhão de coisas “lá fora” e se deixa de perceber uma
coisa, o campo invisível que é a origem do universo. Para quem lê os textos dos
grandes rishis, não é de admirar que eles considerassem Maya um mau substituto
para a perspectiva cósmica.
O Yoga Vasishtha diz:
“Na infinita consciência, em cada átomo dela, universos vêm e vão, como
partículas de pó flutuando num raio de luz que brilha através de um furo no
telhado”.
A realidade quântica
transborda das páginas de Vasishtha porque ele percebeu a perspectiva que ela
lhe mostrou:
“Em
cada átomo existem mundos dentro de mundos”.
Demolir as fronteiras
não faz o mundo relativo desaparecer, mas lhe acrescenta uma outra dimensão de
realidade — a realidade torna-se ilimitada. Quando as paredes caem, o mundo pode
se expandir.
E isso, de acordo com
os rishis, é o que faz toda a diferença entre um mundo que poderia ser um
paraíso e um que se transforma num inferno.
O mecanismo por trás
das fobias pode ser usado de maneira exatamente oposta, ou seja, na demolição de
paredes, e não em sua construção,
Podemos falar com
igual facilidade, e com muito mais alegria, de pessoas que dominaram medos
supostamente normais. As equipes de construção de arranha-céus costumavam
incluir uma grande proporção de índios mohawk, que eram criados sem medo de
alturas. A mesma coragem pode ser formada pouco a pouco por meio da prática,
como acontece, por exemplo, com o malabarista que caminha numa corda
bamba.
Essa flexibilidade não
se limita a estados psicológicos. Os nutricionistas têm abundantes provas
científicas para demonstrar que o corpo precisa receber certa quantidade diária
de vitaminas e de minerais para não sucumbir a doenças da carência; o caso
clássico é o do escorbuto, um mal que afligia toda a Marinha inglesa na época em
que os homens se alimentavam apenas com biscoitos, carne salgada e rum, sem
receberem a vitamina C encontrada em frutas e hortaliças.
No entanto, durante
séculos e séculos existiram culturas em todo o mundo que nunca ingeriram a
quantidade de Vitaminas considerada necessária para o ser humano e se adaptaram
perfeitamente bem. Os índios tarahumara do norte do Estado de Sonora, no México,
ficaram famosos entre os estudiosos da fisiologia, porque podem correr de 40 a
75 quilômetros por dia, em altas altitudes, sem nenhum desconforto.
Tribos inteiras fazem
maratonas desse tipo todas as semanas; quando o vencedor de uma delas foi
examinado dois minutos depois de cruzar a linha de chegada, um fisiologista
americano constatou que os batimentos cardíacos desse homem estavam mais
vagarosos do que no início da corrida.
O que amplifica esse
notável feito é que os tarahumara praticamente só se alimentam de milho. Uma
família consome cerca de 100 quilos por ano, metade dos quais são transformados
em cerveja. Outras fontes de nutrição, como raízes, são disponíveis apenas em
pequenas quantidades durante uma limitada época de colheita. Sendo capazes de
sobreviver com uma dieta tão absurdamente abaixo do padrão normal, esses índios
mostram uma flexibilidade quase infinita do sistema mente-corpo.
Por ironia, povos
nativos desse tipo têm uma adaptação tão perfeita que, ao serem alimentados com
uma dieta “balanceada”, fortificada com vitaminas e minerais, muitos deles
desenvolvem, em proporções epidêmicas, doenças cardíacas, hipertensão, problemas
de pele e dentes cariados, males que não tinham antes.
Não há dúvida de que
esses exemplos desafiam toda nossa concepção do que é normal. Temos amplos
indícios, em nossa própria cultura, de que o que existe de mais normal em nós é
a capacidade para criar nossa própria realidade.
Como disse Sir John
Eccies aos parapsicólogos, achamos incompreensível que nosso pensamento seja
capaz de mover moléculas; no entanto, sempre convivemos confortavelmente com
essa “impossibilidade”.
Os rishis
simplesmente ampliam muito nossa “zona de conforto”, conduzindo-a para dentro da
normalidade do infinito.
Já sabemos que, se um
impulso de inteligência quer realizar alguma coisa, ele o faz, usando intelecto,
mente, sentidos e matéria. A inteligência pode criar uma fisiologia onde ocorrem
pensamentos de cura, mas também pode criação oposto.
Se tivéssemos uma
“fiação”, como um computador, a fisiologia de cada indivíduo seria possível. No
entanto a realidade não é essa. A inteligência cria novos circuitos a sua
escolha e isso torna cada pessoa única. Cada experiência da vida modifica a
anatomia do cérebro. Os dentrites novos que surgem nas células cerebrais de
idosos ativos são apenas um exemplo disso.
Quando pressionados a
dizer a verdade maior, os videntes védicos emitiam duas palavras que deixam de
ponta-cabeça todas nossas noções aceitas sobre a realidade: Aham
Brahmasmi.
Em
tradução livre, seria: “Eu sou tudo, criado e não criado”, ou, mais
sucintamente: “Eu sou o universo’‘. Ser tudo, ou mesmo algo além dos limites do
corpo físico, soa muito estranho aos ouvidos ocidentais.
Conta-se uma história
sobre uma dama inglesa que viajava pelo norte da India e foi levada às cavernas
ao longo do Ganges, onde os iogues se entregavam à meditação profunda. Ela foi
recebida por um deles com grande amabilidade. No final da visita,
disse-lhe:
— Pode ser que o
senhor não saia com frequência daqui, mas seria um prazer levá-lo para conhecer
Londres.
— Madame — respondeu o
iogue com toda a tranqüilidade
—, eu sou
Londres.
Em suas parábolas, os
rishis demonstravam grande talento para enganar o intelecto. Uma das mais
famosas é sobre um jovem chamado Svetaketu, que saiu de sua casa para estudar os
Vedas.
·
O sânscrito diz literalmente “Eu sou Brahman”. Brahman é um termo de grande
abrangência e, portanto, intraduzível; ele significa todas as coisas na criação
— mentais, físicas e espirituais —, bem como sua fonte não
criada.
Na antiga Índia, isso
significava morar com os sacerdotes e decorar longas passagens dos textos
sagrados. O rapaz fica fora de casa por doze anos. Quando finalmente retorna,
está todo orgulhoso dos conhecimentos que adquiriu.
Seu pai, um tanto
aborrecido, mas achando graça, decide acabar com aquela pose. Eis um trecho do
diálogo que se segue:
— Vá apanhar um fruto
daquela figueira-brava — diz o pai de Svetaketu.
Aqui está,
senhor.
— Abra-o ao meio e
diga-me o que está vendo dentro dele.
— Muitas sementinhas,
senhor.
— Pegue uma delas,
abra-a ao meio e diga-me o que vê dentro.
— Nada,
senhor.
Então, o pai
disse:
— A mais sutil
essência dessa fruta é nada para você, meu filho, mas, acredite-me, desse nada
surgiu esta enorme figueira-brava.
E
acrescentou:
— Aquele Ser, que é a
essência mais sutil de tudo, a suprema realidade, a alma de tudo o que existe,
Aquele é você, Svetaketu.
Na
verdade, essa é uma história muito quântica. O universo, como a enorme
figueira-brava, surge de uma semente que nada contém. Sem uma metáfora
como a da semente e a árvore, nossa mente não tem como captar o que é um nada
assim
, uma vez que ele é menor do que o conceito “menor”, e mais antigo do
que o Big Bang.

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