SHIVA-SHAKTI – A LEI DE ATRAÇÃO E O CAMINHO DE INTEGRAÇÃO DOS OPOSTOS

SHIVA-SHAKTI
Imaginemos
que está aqui um rapaz e além, distante dele, uma moça; eles se olham, sorriem
um para o outro… Se considerarmos os fatos de um ponto de vista mecanicista e
material, diremos: eis dois corpos bem distintos, separados e que não se tocam;
não há, portanto, nenhuma comunicação entre eles. Mas, se analisarmos a questão
de um ponto de vista metafísico e espiritual, entenderemos de modo diferente,
pois dado que estas duas Almas se comunicam entre si, elas estão realmente
unidas pelos fluidos e emanações, exatamente como os raios de duas estrelas se
fundiriam no espaço cósmico.
Nós
temos centros de atração e de projeção fluídica: o cérebro, o coração e os
órgãos genitais. Cada um desses órgãos atrai por um lado e repele pelo outro. É
por meio desses aparelhos que nós nos colocamos em comunicação com o fluido
universal ( akasha ) através de transmissões codificadas e decodificadas pelo
sistema nervoso.
Todo
esforço inteligente da vontade é uma projeção de fluido. Fluido significa então
sistema das vibrações. Sendo o instrumento da vida, se fixa naturalmente no
centro de todos os seres vivos – ao centro do planeta como ao centro conhecido
como o âmago da Alma humana. É este fluido que, projetado sem cessar pela nossa
vontade, forma o que se chama a atmosfera pessoal. O corpo absorve o que o
rodeia e irradia sem cessar seus aspectos invisíveis.
O amor
seria um dos grandes instrumentos desse poder mágico. Quando a atmosfera
magnética de duas pessoas é de tal modo equilibrada, que o atrativo de uma
aspira a expansão da outra, produz-se uma atração que se chama simpatia. Esta
relação pode-se dar ao nível de um ou mais dos três andares magnéticos da Alma
humana: órgãos genitais (genitalidade ou, a nível mais refinado, sexualidade),
coração (afetividade) e o cérebro (intelectualidade ou, a nível mais refinado,
espiritualidade). O amor sexual é sempre uma ilusão, porque é o resultado de uma
miragem imaginária.
Entre
estas formas de atração está aquela que chamamos de “alma gêmea”. Mas, como
podemos encontrar a “alma gêmea” entre a multidão humana? É uma tarefa difícil,
pois está condicionada pelo karma de cada uma das metades e, em geral, o
encontro se produz somente quando foi predestinado. A maioria dos encontros
humanos ocorre com as quais já possuímos laços de karma , positivos ou
negativos, o que aumenta consideravelmente a possibilidade de encontro das almas
gêmeas. Quando isso acontece, essas almas se reconhecem imediatamente, pois a
consciência superior nesses casos penetra até as personalidades, embora os dois
lados geralmente considerem o encontro como um simples caso feliz. Um
espiritualista deve aspirar conscientemente a esse encontro, meditar sobre ele,
criar sua imagem mental, magnetizando-a com sua vontade. Tal concentração mental
e volitiva pode agir como um imã para esta ou futura encarnação, especialmente
se a outra metade faz o mesmo do seu lado.
Deste
modo, estamos formando um androginato oculto; uma união harmoniosa entre dois
seres de polaridade oposta. O verdadeiro androginato se origina no plano
espiritual, no fato de pertencerem a mesma centelha divina, o que causa uma
atração mútua de caráter supra-racional, diferente da síntese harmoniosa das
características pessoais. Portanto, até que o aspirante espiritual encontre
realmente sua alma gêmea, por muitas experiências de união entre pessoas ele
passará, refinando cada vez mais o seu discernimento.
Se
aceitarmos a divisão da Alma humana em espírito, psiquê e corpo, podemos dizer
então que existe um androginato sexual, outro afetivo e um terceiro espiritual.
O androginato sexual é formado pela perfeita sintonia de corpos físicos ( sthula
sharira ) e, na maior parte das vezes, são escravos de sua paixão. O androginato
afetivo é a união entre, não só os corpos físicos, mas também entre corpos
psíquicos ( sukshma sharira – emocional e mental inferior). Já o androginato
espiritual abrange os três corpos, isto é, físico, psíquico e espiritual (
karana sharira ).
A esses
diversos tipos de androginatos correspondem vários tipos de atração comumente
chamados de amor. Existem também diferentes modos de amor desde a paixão animal
até a mais alta forma espiritual. Esta é caracterizada pela ausência total de
egocentrismo e da procura da felicidade pessoal. No caso de um verdadeiro
androginato espiritual não existe qualquer predomínio de uma ou de outra das
polaridades em nenhum dos planos. Nenhuma das metades procura se apoiar na
outra; cada uma se sente com direitos iguais para criar a união. Os dois lados
fundem-se harmoniosamente em todos os planos. É um processo misterioso que podia
ser comparado a duas harmonias que unindo-se criam uma sinfonia mais profunda e
um grande valor a vida inteira.
A
realização de um futuro androginato espiritual pode ser consciente ou
inconsciente. No último caso é lenta, quase automática, efetuando-se nos planos
superiores fora do conhecimento das pessoas envolvidas. A formação consciente,
que constitui uma prova de que já se encontra no caminho da iniciação, é muito
mais intensa, especialmente se as duas metades não apenas aspiram a sua futura
união, mas conhecem a origem, a natureza e o alvo dessa
aspiração.
Em que
consistirá o trabalho das almas gêmeas durante a sua estadia na Terra? O próprio
androginato espiritual é uma obra divina que, inalterável, existe no plano
espiritual além de qualquer alcance ou influência humana. O trabalho das almas
gêmeas consistirá em formar uma super-personalidade comum, livre dos elementos
involutivos dos planos inferiores, andrógina e aperfeiçoada para que possa
servir de morada ao princípio espiritual. Começa pela criação do corpo etéreo
comum, como conseqüência do contato contínuo dos fluidos, o que pode ser
intensificado por exercícios especiais de magnetização mútua. O corpo astral se
cria pela interpenetração dos eflúvios astrais. A concentração sobre o assunto,
a similaridade do modo de pensar formam e fortalecem o corpo mental comum. A
criação pelos dois lados, da forma-pensamento do seu andrógino e a sua
vivificação com fluidos vitais é um momento importante desse trabalho
iniciático. Do ponto de vista oculto, a super-personalidade criada é uma
formação etéreo-astral semelhante a uma egrégora. Na realidade é uma egrégora
específica composta de dois seres. Como em toda egrégora, seus componentes
parecidos, mas não idênticos, não se dissolvem, mas enriquecem-se
mutuamente.
O
androginato espiritual, no atual estágio da evolução da Alma, é extremamente
raro. A influência evolutiva de um androginato espiritual ultrapassa o meio
ambiente espalhando-se sobre a humanidade. Cada androginato espiritual realizado
é um rasgo efetuado no véu escuro do aspecto involutivo que envolve o planeta, é
uma abertura que permite o acesso da luz. É importante que a imagem desse futuro
encontro esteja sempre viva no discípulo, animada pelos seus pensamentos,
sentimentos e vontade. Na sua aura se formará um campo magnético que contribuirá
para a aproximação. Nenhum esforço nesse sentido será
perdido.
O
androginato espiritual só aparece conscientemente na Alma humana quando esta se
torna uma aspirante espiritual. Chega um momento no caminho evolutivo da Alma,
no qual ela cessa de opor-se, não luta mais, antes deseja compreender o porquê
do que acontece, captar o verdadeiro significado da vida, enfim, “encontrar-se a
si mesma”.
Até
então, vinha a Alma comum, cheia de ideais, buscando insatisfeita a sua outra
parte perdida no Cosmo. Sua consciência permanecia ainda adormecida e por isso
buscava fora aquilo que está dentro. O verdadeiro androginato espiritual começa
dentro de nós, para depois ir se unir a outra metade. Se a própria Alma
desconhece a sua essência, como pode então encontrar aquilo que é exatamente o
seu complemento? Finalmente, entende que a aspiração de conhecer-se é o primeiro
passo no longo caminho do androginato espiritual.
Embora a
Alma ainda não tenha conhecimento é a própria consciência dentro dela que a
incita para frente, que lhe dá a aspiração de procurar a realidade atrás das
aparências e o irresistível impulso para engrandecer-se e
auto-realizar-se.
A Alma
“desperta” percebe que a parte inferior da sua personalidade fora transformada.
Compreende que para possuir eternamente a luz espiritual, ela deve realizar um
longo, paciente e complexo trabalho de purificação e transmutação. Deve
empreender uma descida às profundezas da própria natureza para conhecê-la,
aceitá-la, sublimá-la e transmutá-la. Portanto, o despertar é uma mutação
interior que marca o início de uma nova fase evolutiva para a Alma, fase durante
a qual ela pode acelerar o seu amadurecimento, tendo enfim consciência de si
mesma e de sua meta, mas também de que esta não é alcançada sem conflitos,
crises, provações e ulteriores iluminações e aberturas a serem
conquistadas.

NARADA

Dr.
Roberto Nogueira
Fisioterapeuta,
Terapeuta dos Campos Sutis e Prof. de Yoga

Nota: A União entre Shiva e
Shakti
No
sistema das divindades Hindus, Shiva e Shakti entrelaçam-se num estado constante
de paixão divina, representando a regeneração eterna das forças do universo.
Eles também representam as polaridades universais dentro de nós todos: Shiva, a
força sem limites da consciência pura; e Shakti, a energia primordial da
criação. Quando Shiva e Shakti se unem, Shiva dá poder ao potencial inerente de
Shakti. A união deles cria a todos os niveis manifestação e realização do eterno
estado de estar no coração.

Sobre o autor | Website

Deixe um comentário abaixo:

Para enviar seu comentário, preencha os campos abaixo:

Deixe uma resposta

*

Seja o primeiro a comentar!