Tenho e não tenho um bastão – Osho

Tenho e não tenho um bastão – Osho, em “Vá Com Calma – Discursos Sobre o Zen-Budismo” –

 
Tenho e não tenho um bastão

Uma história:

Mestre Zen: “Tenho aqui um bastão, e ainda assim não tenho um bastão. Como você explicaria isso?”
O noviço: “Eu não explicaria!”
Mestre: “Ora, não seja impertinente! Essa é sua incumbência; se você
realmente quer atingir a iluminação como afirma, faça todo o esforço
possível para responder”.
Noviço: “Tudo bem, suponho que, visto de uma maneira, você tem um bastão; visto de outra maneira, você não o tem”.
Mestre: “Não, de modo nenhum quero dizer isso! Quero dizer que, visto
exatamente da mesma maneira, tenho um bastão e não tenho um bastão.
Agora como você explica isso?”
Noviço: “Eu desisto!”
Mestre: “Mas você não deveria desistir! Você deveria forçar cada pedaço do seu ser para desemaranhar isso”.
Noviço: “Não argumentarei com você sobre se deveria ou não desistir. O fato existencial simplesmente é que eu desisto”.
Mestre: “Mas você não quer atingir a iluminação?”
Noviço: “Se atingir a iluminação significa considerar questões tão
tolas e malditas, então para o inferno com ela! Sinto muito
desapontá-lo, mas adeus!”

Doze anos mais tarde:
Noviço: “Eu
retorno a você, ó Mestre, num estado de absoluto arrependimento. Por
doze anos tenho perambulado e me sentido muito mal pela minha covardia e
impaciência. Agora me dou conta de que não posso continuar a fugir da
vida. Mais cedo ou mais tarde tenho que enfrentar os problemas supremos
do Universo. Assim, agora estou pronto para me revestir de coragem e
tentar trabalhar a sério sobre o problema que você me deu”.
Mestre: “Qual era o problema?”
Noviço: “Você disse que tinha um bastão e ainda assim não tinha um bastão. Como explicar isso?”
Mestre: “Eu realmente disse isso? Que tolice a minha!”

O Zen não tem ensinamento ou doutrina e não dá uma direção, pois ele
diz que não há objetivo e que não é para você se mover numa certa
direção. Ele diz que você já está lá; portanto, quanto mais você tentar
chegar lá, menor será a possibilidade de alcançar. Quanto mais você
procurar, mais você perderá. Procurar é a maneira certa de se perder.

Entender isso simplesmente significa entender que a iluminação já está
disponível, já aconteceu, e que ela é a própria natureza da existência.

Osho, em “Vá Com Calma – Discursos Sobre o Zen-Budismo”

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